E Yamandu Costa

 

Yamandú Costa | Ricardo Herz

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Mourinho – Herz – 5:06 – BR7UK1800020

Inocente – Herz – 3:40 – BR7UK1800021

Xote da Galinha – Yamandú – 2:50 – BR7UK1800022

Milonga Choro – Yamandú – 4:10 – BR7UK1800023

Remanso – Yamandú e Herz – 3:44 – BR7UK1800024

Meiga – Yamandú – 2:57 – BR7UK1800025

Mimosa – Yamandú – 2:52 – BR7UK1800026

Chamaoque? – Herz – 6:16 – BR7UK1800027

Matutinho – Herz e Yamandú – 2:42 – BR7UK1800028

Reencontro – Yamandú – 6:18 – BR7UK1800029

El Negro del Blanco – Yamandú – 6:30 – BR7UK1800030

 

 

“O ARCO E A LIRA

 

A música sem palavras, que acostumamos chamar de instrumental, se desenvolve por caminhos muito particulares.Aqui não há normalmente uma narrativa com significados direcionados pela língua. Mesmo assim, uma sequência de notas pode ser entendida como poesia,pois sons também despertam humores, sugerem sensações, viagens, sacrifícios, surpresas. Se há relações entre música instrumental e poesia, há também uma analogia – como o poeta mexicano Octávio Paz (1914-1998) uma vez disse – entre todo fazer artístico e o universo em seu entorno. Para Paz, esse fazer artístico “concebe o mundo como ritmo: tudo se corresponde, porque tudo ritma e rima; o poema [a música!] é um mundo de ritmos e símbolos”.

E nesse caminho sem palavras, mas repleto de analogias e ecos rítmicos, que Ricardo Herz e Yamandú Costa vêm exercendo seu fazer musical. Nascidos na virada dos anos 1970 para os 1980, obtiveram uma primeira maior visibilidade ao se destacarem nas edições do Prémio Visa – Instrumental do início dos anos 2000.

Mas suas trajetórias são, por outro lado,bastante distintas.Yamandú cresceu envolvido pela música regional gaúcha de Passo Fundo e seu entorno, em meio às milongas, tangos, zambas e chamamés. Gradativamente, seu território musical se expandiu, para abrigar choros, ritmos nordestinos, um pouco de Villa-Lobos e diversas outras paisagens instrumentais. A técnica e o virtuosismo explosivo que desde cedo foram suas marcas no violão de sete cordas,Yamandú agregou pouco a pouco outros contrastes, passagens singelas e uma expressividade mais intimista.

Já o paulistano Ricardo Herz representa muito bem o músico de uma grande metrópole: formou-se em violino na USP, passou pelo jazz da Berkiee College of Music e suas raízes brasileiras são, de certo modo, reconquistadas. Influências em altíssimo nível como a música sem fronteiras de Egberto Gismonti, por exemplo, são visíveis, e foram finamente assimiladas, absorvidas para naturalmente fluírem em seu estilo. Um estilo que hoje é sólido, único. É nesse sentido que, para além de seu virtuosismo ao violino – instrumento solista ainda raro na música popular – Herz se destaca também como compositor criterioso, brasileiro no mundo.

Tentando imaginar a música que será produzida nesse encontro de cordas (friccionadas e dedilhadas), é possível ver Herz e Yamandú ampliando ainda mais seu espaço sonoro em busca de um terceiro território ainda por explorar; um lugar improvável onde o risco de um é confortado pelo amparo do outro, um lugar de fusões, diferenças e complementaridades, violino e 7 cordas.

°E não deve ser a toa que Octávio Paz batizou seu famoso ensaio poético de “O arco e a lira”.”

Sérgio Molina

 

 

“Violonista Yamandú Costa e violinista Ricardo Herz lançam álbum comovente 

A era dos incendiários, da quebra de barreiras, a chegada do conceito de música plena como não se viu em muitos anos. A geração que desenha a música deste tempo não tem limites. Ela demoliu os muros, transcendeu escolas e se sobrepôs aos próprios formatos que a aprisionaram em outros tempos. Uma revolução aparentemente silenciosa por estar fora dos hippies de mídia e de mobilizações sociais na internet segue em curso, redimensionando o que se entende por música brasileira instrumental.

Ricardo Herz e Yamandú Costa, dois nomes de proa nesse mar de criatividade arrebatadora, entregam um atestado desse tempo. Violino e violão se entrelaçam em uma musicalidade que conversa com os sábios acadêmicos e emociona os ouvintes de rádio. São complementares tanto nas leis da física, o violão de sustentação menor das notas eleva as ideias da voz sem fim do violino, quanto nas leis da vida, aquelas que não se explica. Yamandú e Herz começaram as gravações sem pretensão até que sentiram a força do que faziam se impondo aos próprios planos. “Vamos lançar agora”, despertou Yamandu, diante do que ouvia.

O violão de Yamandu tem mais acabamento, um desafio vencido quando se quer manter a explosão. Alguns explodem as frases, outros acariciam discursos no limite de suas técnicas. Yamandú chega à plenitude ao tornar-se tanto técnico quanto comovente. O violino de Herz tem uma voz singular, de uma bagagem colhida desde os dois anos de idade, seguindo pelos oito anos de vivência em Paris, pela formação de seu trio, pelo mestre Didier Lockwood e pela vontade de se comunicar com qualquer que seja seu ouvinte, presenteando-o com a surpresa e a sugestão da transformação.

Chegam assim aos carinhos de Remanso, aos passeios de Chamaoquê?, aos encontros e às fugas de Mourinho e às lágrimas de Reencontro. Quem fez o quê? Nem importa mais, a ficha técnica do álbum conta. Yamandu e Herz criam um daqueles encontros em que as inspirações e os discursos se misturam para que uma só voz chegue no canto esquerdo do peito preenchendo tudo de calor e de esperança para um povo que precisa voltar a acreditar que sim, existe saída.”

Julio Maria

 

violão 7 cordas – Yamandú Costa

violino – Ricardo Herz

produção musical – Yamandú Costa e Ricardo Herz

gravado, mixado e masterizado no Estúdio Bagual por Gil Costa em dezembro de 2017

designer gráfico: Bel Andrade Lima

 

Agradecimentos:

Sesc, Sarah Degelo, Daniel Tapia, Sérgio Molina, Raquel Dammous, Maria Célia, Alcina Meirelles e Marina Herz