DOCUMENTAÇÃO TÉCNICA
Não existe nada mais tradicional que o duo violino e piano. E não existe nada menos tradicional do que o incrível duo Nelson Ayres / Ricardo Herz.
Trilhando caminhos nunca antes imaginados, esses dois grandes músicos encaram o forró, o xote, o samba e o choro numa mistura de maestria e bom humor que já rendeu milhares de fãs mundo afora.
Nelson Ayres, é pianista, maestro, arranjador, compositor, referência na música instrumental e na formação de novos talentos. Ricardo Herz é reconhecido como o grande revolucionário do uso do violino na música popular. Duas gerações com muito em comum: formação, gosto pela improvisação, swing, fluência.
É uma chance única de ver a tradicionalíssima formação violino e piano explorada de forma totalmente inusitada por esses dois ícones da música instrumental.

Segue um pequeno aperitivo para quem quiser conhecer essa dupla genial.
FOGO NO BAILE (Nelson Ayres) https://www.youtube.com/watch?v=QI3jowUSUJU
UPA! (Ricardo Herz) https://www.youtube.com/watch?v=-tQyZYVMacM
CD DUO completo https://www.youtube.com/watch?v=FJgSrEDu5MQ
O pianista, regente e compositor Nelson Ayres foi durante dez anos maestro da ORQUESTRA JAZZ SINFÔNICA DO ESTADO DE SÃO PAULO. Tem regido frequentemente outras orquestras no Brasil e no exterior, incluindo a prestigiosa ORQUESTRA FILARMÔNICA DE ISRAEL. Essa experiência se reverte para sua atuação como um dos regentes e arranjadores da ORQUESTRA JOVEM TOM JOBIM desde 2008.
Como pianista, pode ser encontrado liderando o NELSON AYRES TRIO, dividindo o palco com MONICA SALMASO, ou continuando a trajetória do prestigioso quinteto instrumental PAU BRASIL. Seus mais recentes projetos são a reedição da NELSON AYRES BIG BAND, que marcou época na década de 70, o duo com o violinista RICARDO HERZ, e o trio com o saxofonista britânico JOHN SURMAN, um dos mais notórios nomes do jazz europeu.
Tocou e gravou com Benny Carter, Dizzy Gillespie, Toots Thielemans, Airto Moreira e Flora Purim, Ron Carter, Walter Booker, Vinícius de Moraes, Chico Buarque, Edu Lobo, Simone, Nana e Dori Caymmi, Milton Nascimento, Guinga, Gal Costa e muitos outros grandes nomes do jazz e MPB.

Ricardo Herz – Violinista e compositor brasileiro, comemora 20 anos de carreira com o lançamento de seu 11º álbum “Sonhando o Brasil – Ricardo Herz Trio”. Reconhecido por reinventar o violino brasileiro, incorpora ao instrumento a sonoridade da sanfona, da rabeca e do choro, misturando ritmos brasileiros, africanos e o improviso do jazz. Influências incluem Dominguinhos, Luiz Gonzaga, Egberto Gismonti e Jacob do Bandolim.
Vencedor do Prêmio Profissionais da Música 2025 na categoria Artista Instrumental e, em 2021, nas categorias Artista Instrumental e Autor Instrumental. Graduado em violino erudito pela USP, estudou também na Berklee College of Music (EUA) e no Centre des Musiques Didier Lockwood (França).
Desde 2010, atua no Brasil colaborando com artistas como Yamandú Costa, Dominguinhos, Nelson Ayres, Proveta e orquestras como a Jazz Sinfônica, Sphinx Virtuosi e Orquestra Filarmônica de Violas. Lançou 11 álbuns, incluindo trabalhos solo, com o Ricardo Herz Trio e em duos com nomes como Yamandú Costa, Nelson Ayres, Antonio Loureiro, Samuca do Acordeon e a orquestra cubana Camerata Romeu.
Desde 2019, mantém um duo com a violinista e rabequeira Vanille Goovaerts. Também é educador, ministrando cursos e lançando o primeiro método online de violino popular brasileiro.
O estado da arte do duo violino e piano
Com o magnífico CD autoral de Nelson Ayres e Ricardo Herz
“Os 70 anos e a vasta experiência de Nelson Ayres – arranjador, compositor mas sobretudo pianista notável – combinaram-se de modo virtuoso e original com o violino atrevido dos 39 anos de Ricardo Herz.
São onze faixas, e uma só conhecida – muito conhecida. É o clássico “Maracangalha”, de Dorival Cymmi. As outras dez são criações da dupla (quatro de Nelson, seis de Ricardo).
O que mais impressiona nesta gravação ao mesmo tempo descontraída e muito densa do ponto de vista musical mais técnico é a constante interação entre os instrumentos. Eles “conversam”, se desafiam, propõem alternativas entre si. Enfim, fazem deste encontro um daqueles momentos memoráveis da música instrumental brasileira atual.
Um exemplo? Um não, dois. A linda e lírica primeira faixa, “Céu de Outono”, assinada por Nelson Ayres, inicia-se com delicados saltos de oitava, passam para quintas – tudo com extrema serenidade, os acordes cheios do piano atapetando os vôos refinados do violino. Música de câmara pura. Curiosamente, a sexta faixa, agora assinada por Ricardo Herz, “Valsa Tímida”, começa com intervalos de quinta e em seguida de oitava, praticamente invertendo os intervalos de “Céu de Outono” – o clima é o mesmo, camerístico. ‘’
João Marcos Coelho, CD da Semana, portal da Cultura, Fundação Padre Anchieta. 26 março 2018
